A eleição para a diretoria da Federação dos Jornalistas (Fenaj) terminou em confusão na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba. A denúncia está sendo feita por Dalmo Oliveira. Ele disse ter sido agredido fisicamente por Danielito Graneros e pelo filho do presidente do sindicato, Ted Seixas, na noite de 18 de julho.
"Depois de um bate-boca, Graneros me derrubou violentamente no chão, de forma covarde e oportunista", disse Dalmo, acrescentando que o filho de Land Seixas o ameaçou várias vezes, afirmando, na frente de todos: "vou pegar você depois".
Segundo Dalmo, Ted Seixas passou a atuar dentro da sede do sindicato como uma espécie de faz-tudo e leão de chácara do pai. "Ele está praticamente morando na sede do sindicato. Possui, inclusive, as cópias das chaves do prédio e das salas onde funciona o sindicato, na rua Índio Piragibe", garante Oliveira.
Dalmo diz que a confusão começou porque Land Seixas não admitia que fossem registradas na ata da eleição algumas irregularidades apontadas por ele, que é fiscal da chapa 2, "Luta, Fenaj!".
"Durante os três dias de eleição, a urna itinerante circulou apenas com membros da comissão eleitoral e de candidatos da chapa 1. O presidente nomeou para a comissão apenas pessoas de sua inteira confiança e só aceitou a indicação de um
fiscal da chapa de oposição, inviabilizando o acompanhamento das quatro urnas instaladas em João Pessoa e Campina Grande", denuncia Dalmo.
Ele diz que os votos foram catados apenas nos locais onde havia intenção de voto para a chapa 1. "A urna itinerante não passou em locais importantes como a redação do Jornal da Paraíba e o comitê de imprensa da Assembléia Legislativa. Essa é uma prática antiga desse grupo que usa métodos escusos, ilegais e anti-democráticos para se perpetuar na direção da entidade", diz.
E tem mais. Dalmo acrescentou: "Land quis mostrar aos colegas da Fenaj que quem manda na Paraíba é ele. Trata os jornalistas com a mesma metodologia dos coronéis políticos do Nordeste ultrapassado, com voto de cabresto. Constrangeu a maioria dos
eleitores monitorando de perto o voto de cada um. Alguns colegas precisaram levar a urna para lugares reservados para não serem policiados por Land e seu bando. Na sede do sindicato e na urna volante, praticamente não havia privacidade de votação", acrescenta.
O jornalista registrou queixa contra os agressores na 2ª Delegacia Distrital, na Pedro I. "O que mais me preocupa é o clima de intimidação criado por Land, seu filho e por seu capacho Danielito. É uma gente capaz de tudo para não perder poder e privilégios. Posso me defender sozinho, mas com esse tipo de gente é melhor está prevenido contra emboscada e outros tipos de retaliações. Se algo acontecer comigo daqui para frente já tenho ao menos a idéia de onde possa partir novas agressões ou
atentados, e responsabilizo inteiramente desde já esses três indivíduos", diz o jornalista.
Dalmo vai pedir formalmente a impugnação de toda votação na Paraíba. "Na última eleição esse mesmo grupo foi acusado de fraudar a eleição da diretoria da Fenaj. Os votos e documentos foram queimados logo depois da apuração. Agora querem ganhar no grito de novo, mas dessa vez estamos vigilantes", finaliza.
A apuração contabilizou 151 votos para a chapa 1, "Orgulho de ser Fenaj", na qual concorria Land Seixas, Edson Veber e Lúcia Figueiredo. A chapa 2, "Luta, Fenaj!" não possui representantes da Paraíba e obteve apenas cinco votos. Land e Veber já são diretores da federação na gestão atual. Eles estão na diretoria do sindicato ininterruptamente há quase 15 anos.